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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

o grito

Apenas uma seta na aljava,
somente uma pedra no bornal,
só uma bala no revolver.
não! grita minha alma frustrada,
fatigada, enojada de melindres.
engessada pelo dever de acertar!
Que sujeito inflexível!
Quer imolar-se! é duro como José!
Quem sabe vergastando o corpo, ou alma, não amoleço?
Há que amolecer!
Hei de amolecer!
que luta terrível!
é realmente martírio, caça, luta, batalha, guerra.
Tenho um adversário bem treinado,
pronto para se levantar da maneira mais sutil,
mais subreptícia, imperceptível, ladina,
sorrateira, entrincheirada!
Meu inimigo eu já conheço.
Ele sabe disso, por isso se esconde.
é guerra! Napalm! bombas de neutrons!
Morram, dureza e esquema dos meus dias!
Morre, diabo!
Que me reste a paz e a livre experimentação!
Mais vinho, por favor!
Mais!

terça-feira, 31 de julho de 2012

Novamente refém

Que sina!
ser refém do coração!
Logo eu?
E por que não?

Quem te viu quem te vê
perdeu a razão
foi tragado pela ciranda da inconstância,
da emoção.

Grita, chora, sofre,
Ri, pula, corre.
Mas nada resolve.
nada resolve!

Sou refém!
E por que não?

terça-feira, 10 de julho de 2012

De vez em quando recém nascido

Comparsas, o coração de ânsias
que transborda de vontades,
o peito que arfa e a boca que saliva salgada,
dão voz de assalto aos olhos
que se rendem ao pranto
que é delator
de que tudo
não é o bastante.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Vê!

Cuidado, homem-sonho-alegria-céu, para não matares praticamente o sonho, cavares tristemente tua cova e tapares o ouvido para o alto, tua vida... Fecha os olhos e vê!

domingo, 27 de março de 2011

O namoro do macaco com a girafa

O macaco se enamorou da girafa.
Incandescente, subiu em seu longo pescoço,
deu-lhe um beijinho e foi-se embora.
Insistente, subiu novamente em seu longo pescoço,
deu-lhe outro beijinho e foi-se embora.
Resistente, subiu outra vez em seu longo pescoço,
deu-lhe mais um beijnho e foi-se embora.
Desistente, foi-se embora.

sábado, 30 de outubro de 2010

Alvo

Uma vida prática, é tudo de que preciso.
Desafios estão postos para superá-los.
O maior deles: perseverar sempre.
Ter uma obstinação pelo alvo.
E não perdê-lo de vista.
Pés no chão, sempre.
Caminhar sempre.
E sempre.
Até o
fim.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Temores de Alexandre

Alexandre
Teme ser rei
Ser grande
Ser glande.

Teme ter tudo o que quer
Teme conquistar
A tudo e a todos
Teme seduzir
Tiranizar e oprimir.
Teme fazer de sua Macedônia o mundo
E do mundo sua Macedônia.

Teme desrespeitar Felipe
O Pai
O Filho e o Espírito Santo.

Teme se apropriar de Helena
A mãe
De sua terra e de seu saber.

Teme e teima.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Um sentimento de pertencimento

Nove meses ali dentro, bem nutrido, aquecido, o centro de tudo, desejado, amado.
Não queria sair.
Eu era seu, mãe.
E era do meu pai.
Mas era mais seu, mãe.
Passei a ser um pouquinho mais do meu pai quando, já do lado de fora, ele me viu.
Mas continuei sendo seu, mãe.
E era também das minhas avós.
Das minhas tias (e tias) e tios e primos e primas.
Dos seus amigos, mãe.
Dos seus amigos, pai.
Depois passei a ser também dos meus.
Depois fui do meu irmão.
Passei a ser das minhas brincadeiras.
Também dos meus desejos.
Dos meus sonhos.
Passei a ser dos meus pensamentos.
Passei a ser dos meus ideais.
Passei a ser dos saberes.
Passei a ser dos meus saberes.
Passei a ser dos meus sentidos.
Passei a ser dos meus gostos.
Das minhas preferências.
Passei a ser das músicas. Não das minhas. Mas delas.
Passei a ser da vida.
Passei a ser do mundo. Do amor.
Passei a ser de uma mulher.
Passei a ser de Deus.
Passei por muita coisa.
Voltei a ser meu.
Talvez tenha voltado a ser só meu.
Que saudade...
ali eu era seu, mãe.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

vida: vaga entre ondas

— Paciência! uma onda boa logo vem...

Alguns minutos e expectativas frustradas depois, apesar da aparência de eternidade, dadas as condições de temperatura, pressão e estado civil...

— Meu Deus, mas será que não tem onda nesse mar?

Já estava se cansando e indagações principiavam um motim em sua mente pacata quando sua retina foi impressionada pelo enlevo do mar que quebrava a linha do horizonte ao longe.

— Ah... será...? Tá parecendo que essa é boa... será?

Seu corpo ainda estava meio inerte deitado sobre a prancha, mas o coração palpitante prenunciava que em pouquíssimo tempo essa situação mudaria, e abruptamente.

— Woooohooooo! é gigantesca!!

Um certo receio diante daquele grande desafio... E, o que era calmaria converteu-se em movimentos rápidos e enérgicos sobre a prancha a fim de não perder aquela belíssima onda.

Paciência até a próxima. Quando ela vier, coragem!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

conselhos de Machado

"Amai, rapazes! e, principalmente, amai moças lindas e graciosas; elas dão remédio ao mal, aroma ao infecto, trocam a morte pela vida... Amai, rapazes!"

Machado de Assis in Dom Casmurro

segunda-feira, 12 de julho de 2010

o amor do ponto de vista sócio-econômico

Sentimento é moeda com que não se dá esmola.
Coração é um mendigo que se satisfaz quando se doa.
As vidas têm valor, a minha e a tua.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Recuperação sentimental

No Direito há um instituto chamado "Recuperação Judicial", que é utilizado quando uma empresa "pede um tempo" para dar uma saneada nas suas atividades a fim de evitar a falência.
Quando é feito o pedido de Recuperação Judicial, a empresa terá 180 dias, ou seis meses, para se reorganizar.
Nesse período, os credores daquela empresa não poderão exigir o pagamento de seus créditos.
Ninguém poderá exigir dessa empresa coisa nenhuma, senão que ela se empenhe em sua própria recuperação, o que por sinal, até pressupõe que ela venha a honrar suas dívidas.
Enfim, o que quero traçar é um pequeno paralelo entre essa situação jurídica e a que ocorre no plano sentimental.
Às vezes, estamos à beira da falência pessoal, sentimentalmente falando e, nosso coração, que foi feito pra amar, quer continuar amando mesmo não tendo condições para isso.
Nessas circunstâncias seria prudente e aconselhável pedir a "Recuperação sentimental", para que as dívidas que o coração venha a contrair possam ser, num futuro não muito distante, efetivamente honradas.
O grande desafio é abafar os clamores desse ser palpitante que mora dentro da gente.

domingo, 13 de junho de 2010

amores

clamores abrasadores,
pavores aterradores,
sem dores não há amores.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

as coisas mudam

Se há alguma coisa incomodando você, mesmo que seja apenas um sentimento, experimente traduzir tal sentimento num pensamento.

Agora, experimente traduzir tal pensamento em palavras. Agora exponha tais palavras para pessoas do seu convivio, amigos chegados, que podem opinar com amor sobre elas.

Se necessário, as palavras também podem ser traduzidas em ações... docilidade e coragem quando isso acontecer!

Quando as palavras saem, os pensamentos vão atrás e, depois deles, aquele incômodo.

Ficam os amigos e uma atmosfera de novas possibilidades.

Embora alguém saia chorando, levando a semente para semear, Tornará a vir com júbilo, trazendo os seus feixes. Sl 126:6

quarta-feira, 19 de maio de 2010

em regeneração

Tirano, sequer pergunta o que eu penso,

apenas dita as leis que eu obedeço;

Pra sorte do dominado refém,

Meu coração tem tirano também.



"Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR; este, segundo o seu querer, o inclina". Pv 21:1


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pílulas de contra-cultura II: Amor

Como esquecer o amor, se somente por meio dele
posso experimentar a verdadeira vida???

Ter? Saber? Prazer? Pra quê, se, sem amor, eu nada seria?

"...fundir o espaço e o tempo,
vencer as tentações rasteiras
do instinto animal,
só é dado a quem vê no amor
o único portal"

Trecho de Seresta Sertaneza, de Elomar Figueira Melo

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Pílulas de contra-cultura I: Sexo

Quem disse que nossos desejos sexuais são imperativos?
Seu desejo é uma ordem?
Nada disso! São desejos, não são ordens!

É hipocrisia fingir que não temos desejos.
Mas é exagero dizer que somos escravos deles!

Que os desejos sexuais sirvam à humanidade e não o contrário!
Podemos ter uma sexualidade sadia, pela graça de Deus!
Deus abençoe a todos!

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Quem conta um ponto aumenta um conto


Isso soa tanto um tanto quanto cômico,
quanto um tanto quanto um pranto;
Mas sou um tanto quanto cômico
e um tanto quanto pranto.
Meu pranto, um tanto quanto cômico,
tem contos e pontos, prós e contra mim.

Quero você que viu meu pranto,
você que viu meu conto e meus pontos.
Conto com muitos pontos e contos.
Os pontos que mais contam
são pontos marcados em mim,
porque pontos por mim marcados,
são contados contra mim.

Dos muitos contos que conto,
muito se sabe de mim.
Mas ainda assim, o conto que mais conta,
não é o que se contou,
mas o com que conto contar.
Conto contar esse conto,
não como quem conta um conto,
mas como quem canta... e desencanta...
o conto por Deus há muito encantado.

Quero você que viu meu pranto,
você que, num conto, viu meus contos e meus pontos.
você que, vendo os pontos pró,
pôs-se pronta pra mim.
você que, vendo os pontos contra,
pôs-me pronto pra si.

Quero contar o conto encantado contando consigo.
Num quanto de desencanto de Deus,
num canto em que só Deus é Rei, comecei a contar.
Não consigo contar só, quero contar consigo.
Quero consigo cantar e desencantar o conto
por Deus há muito encantado.

Quero!
Consigo?
Consigo conseguirei.

Enquanto não sigo consigo, sem sigo seguirei,
sigo sem si, sigo sem mim, sigo com Ele!