segunda-feira, 5 de julho de 2010

Recuperação sentimental

No Direito há um instituto chamado "Recuperação Judicial", que é utilizado quando uma empresa "pede um tempo" para dar uma saneada nas suas atividades a fim de evitar a falência.
Quando é feito o pedido de Recuperação Judicial, a empresa terá 180 dias, ou seis meses, para se reorganizar.
Nesse período, os credores daquela empresa não poderão exigir o pagamento de seus créditos.
Ninguém poderá exigir dessa empresa coisa nenhuma, senão que ela se empenhe em sua própria recuperação, o que por sinal, até pressupõe que ela venha a honrar suas dívidas.
Enfim, o que quero traçar é um pequeno paralelo entre essa situação jurídica e a que ocorre no plano sentimental.
Às vezes, estamos à beira da falência pessoal, sentimentalmente falando e, nosso coração, que foi feito pra amar, quer continuar amando mesmo não tendo condições para isso.
Nessas circunstâncias seria prudente e aconselhável pedir a "Recuperação sentimental", para que as dívidas que o coração venha a contrair possam ser, num futuro não muito distante, efetivamente honradas.
O grande desafio é abafar os clamores desse ser palpitante que mora dentro da gente.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

meu Deus

meu Deus É
antes de mais nada, meu Deus É
meu Deus É

meu Deus é criador
meu Deus é O criador
meu Deus é poderoso
meu Deus é o Todo-Poderoso
meu Deus pode tudo
meu Deus pode tudo
pode tudo
tudo

meu Deus pode virar gente
meu Deus virou gente
meu Deus pode sentir como gente
meu Deus sente como a gente
meu Deus tem sangue correndo nas veias
meu Deus tem pulsões e paixões
meu Deus pode falar como gente
meu Deus entende como gente
meu Deus entende gente
meu Deus entende a gente
meu Deus se identifica com a gente
meu Deus se identifica comigo
e eu me identifico com meu Deus
meu Deus é meu!
meu!
e eu...
sou dele!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O Esporte das Multidões

É Copa do Mundo, ocasião perfeita pra começar a falar também sobre futebol aqui no blog.

Muita mobilização nas ruas, em quase todos os países, pelo menos os de maior tradição no esporte. A seleção canarinho estreando. E aquela festa maravilhosa ocorrendo no país-sede.

Nessa época, poucos tem peito pra dizer que não gostam de futebol. Mas sempre existem aqueles que não olham com o devido cuidado para esse esporte épico, um simulacro de grandes batalhas.

Estes, do alto de sua visão minimalista, reduzem o esporte a 22 machos correndo atrás de uma bola. Um olhar mais atento, no entanto, lhes daria uma dimensão mais apropriada desse esporte simples e mágico.

A fórmula, cuja simplicidade é entendida por crianças recém saídas dos cueiros, encerra incontáveis possibilidades. Daí, pela imprevisibilidade de uma partida, o fascínio exercido naqueles que captam essa miríade de emoções.

Vamos a alguns exemplos dessa infinda gama de chances:

Um jogo pode acabar em zero a zero e ainda assim ter sido um jogão, bastando que tendo havido doação, entrega, coração por parte dos jogadores de cada time. Mais que a vitória, muitas vezes é a própria honra que está em jogo.

Um time pode ganhar de 4 a 1 e pasmem, ter passado sufoco.

Isso pra não falar das limitações do homem-juiz que, exatamente por ser limitado,
pode ensejar que um time sem nenhum mérito vença outro Todo-Poderoso.

Assistir a uma partida no estádio lotado... me recuso a querer traduzir aqui! É pretensão demais pra um mortal!

Decisão por pênaltis? — Haja coração, amigo! — conforme diria o contestado Galvão Bueno.

E a regra do impedimento? O que ela é senão o fiel da balança que separa os expertos dos catecúmenos?

Enfim... dá pra ficar falando de tudo o que cerca o futebol durante muito tempo, mas terei oportunidade pra fazê-lo de maneira menos açodada, assunto por assunto, quando convier e for oportuno.

Fica registrado aqui apenas o gostinho da estréia, e aos que ainda não tiveram aquele olhar atento que o chamado esporte das multidões requer, aqui vai um videozinho com o melhor futebol do mundo, o verdadeiro futebol-arte. Aos que já o apreciam, não vou chover no molhado.

Deliciem-se: