segunda-feira, 12 de julho de 2010

sejam ansiosos como as crianças

— Pai, falta quantos quilômetros? — pergunta o filho pela décima sétima vez, inclinando seu corpo entre os dois bancos da frente.
— Oitocentos e trinta e cinco! — o pai, há muito sem paciência, diz um número aleatoriamente.
— Oitocentos e trinta e cinco quilômetros é quanto tempo?? — pergunta o curiosíssimo garoto que, olhe lá se já sabe contar até cem!
— Umas dez horas — responde o pai, recobrando em parte a paciência, em razão da grata surpresa provocada pela esperteza do garoto.
— Dez horas é muito? — diz o garoto num questionário interminável em razão da sacanagem do pai que, agora, começa a testar com bom humor o garoto.

As crianças são ansiosas, mas são mais ansiosas por saber do que por chegar.
Enquanto não chegamos, e será bom o dia da chegada, sejamos ansiosos como as crianças.

o amor do ponto de vista sócio-econômico

Sentimento é moeda com que não se dá esmola.
Coração é um mendigo que se satisfaz quando se doa.
As vidas têm valor, a minha e a tua.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Recuperação sentimental

No Direito há um instituto chamado "Recuperação Judicial", que é utilizado quando uma empresa "pede um tempo" para dar uma saneada nas suas atividades a fim de evitar a falência.
Quando é feito o pedido de Recuperação Judicial, a empresa terá 180 dias, ou seis meses, para se reorganizar.
Nesse período, os credores daquela empresa não poderão exigir o pagamento de seus créditos.
Ninguém poderá exigir dessa empresa coisa nenhuma, senão que ela se empenhe em sua própria recuperação, o que por sinal, até pressupõe que ela venha a honrar suas dívidas.
Enfim, o que quero traçar é um pequeno paralelo entre essa situação jurídica e a que ocorre no plano sentimental.
Às vezes, estamos à beira da falência pessoal, sentimentalmente falando e, nosso coração, que foi feito pra amar, quer continuar amando mesmo não tendo condições para isso.
Nessas circunstâncias seria prudente e aconselhável pedir a "Recuperação sentimental", para que as dívidas que o coração venha a contrair possam ser, num futuro não muito distante, efetivamente honradas.
O grande desafio é abafar os clamores desse ser palpitante que mora dentro da gente.