segunda-feira, 2 de julho de 2012

Descendo da pilha

Penso tanto que dói,
tanto que dá preguiça,
tanto que até prefiro
tanto nem explicar,
tanto que é mesmo difícil de entender.

Sentado sobre uma pilha de ideias
quero reinar lá de cima
mas meu reino não tem seres
Preciso de seres! Preciso de seres!
Preciso descer!


Desço e tento não explicar nada
tento não entender nada
tento só sentir os seres
sentir os sabores, sentir os saberes
Sem os seres eu sou só.

Não quero voltar lá pra pilha
Quero viver aqui embaixo
Aqui tenho uma família
Aqui sim eu me encaixo
Melhor ser um ser aqui,
que ser rei e não ser nada...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Vê!

Cuidado, homem-sonho-alegria-céu, para não matares praticamente o sonho, cavares tristemente tua cova e tapares o ouvido para o alto, tua vida... Fecha os olhos e vê!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Palavras também brincam

Disto gosto: brincar com palavras.
Pega-pega e esconde-esconde até que soem bem.
Se para de soar, uma palavra fica sem lugar.
Na ciranda de letrinhas reunidas, a palavra boba tem uma prenda a pagar.
Telefone sem fio, palavras distorcidas entre um ouvido e outro.
Entre um ouvido e outro, comem-se palavras.
Como palavras. Sopa de letrinhas cheias de sabores.
No caldeirão letrinhas, foneminhas, barulhinhos,
as borbulhas dessa sopa.
Borbulhas sonoras, meros barulhos.
Meros e caros. Caríssimos.
Longos, breves, brevíssimos.
Psiu!
ui!
ai!
Palavras e delícias.
Hummm...